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Crítica Genética

Sirlene Ribeiro Góes

A crítica genética (CG) se propõe a estudar a história do nascimento de um texto, através das marcas deixadas, ao longo do percurso, nos manuscritos (GRÉSILLON, 2007). Ela tem como objeto o estudo dos manuscritos, que guardam traços da dinâmica do texto em criação e o pesquisador utiliza-se destes para levantar e comprovar hipóteses sobre a gênese em questão. Busca-se, então, identificar as etapas seguidas pelo criador e, assim, procurar traçar aproximações para entender o nascimento de uma obra.

O início dos estudos genéticos se deu na França, em 1968, quando foi criada uma equipe composta, principalmente, por Almuth Grésillon e Louis Hay para estudo dos manuscritos do poeta alemão Heinrich Heine. Em 1985, no I Colóquio de Crítica Textual: o Manuscrito Moderno e as Edições, realizadoem São Paulo, Philippe Willemart introduziu os estudos no Brasil (SALLES, 2008).

A princípio, as pesquisas voltavam-se apenas para o estudo do processo genético de manuscritos literários autógrafos, de documentos escritos à mão. Contudo, “a crítica genética, que vinha se dedicando ao estudo dos manuscritos literários, já trazia consigo, desde seu surgimento, a possibilidade de explorar um campo mais extenso, que nos levaria a poder discutir o processo criador em outras manifestações artísticas.” (SALLES, 2008, p. 14).

O caráter transdisciplinar e transartístico da CG é reafirmado a cada ano. O estudo de processos genéticos de obras teatrais, cinematográficas e plásticas, por exemplo, tem revitalizado o campo no século XXI e proposto possibilidades de estudos inovadores, até mesmo ousados. Como afirma Grésillon (2007, p. 42) “a crítica genética abrange todas as artes e qualquer atividade criativa do homem desde a pintura, a arquitetura, o cinema, até as mídias.”

O trabalho com prototextos diversos, de obras literárias, artes plásticas e performáticas, lidando com manuscritos modernos, sejam eles em papel ou digitais, como é o caso do Grupo de Pesquisa em Crítica Genética, levanta questões que a CG, como ciência recente, ainda se empenha em resolver. Por isso, acredita-se que a publicação dos nossos estudos neste espaço irá motivar a descoberta de novos caminhos e metodologias que enriquecerão o campo de estudos genéticos.

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